Sábado, 17 de Março de 2007

Ad Libitum Companhia das Artes - Um passo de dança ao som de um só acto

“À vontade com as artes”

Coimbra está cada vez mais bonita. Na minha mente ecoam notas musicais que me enfeitiçam e transportam para outro patamar. Tal como nos desenhos animados, começam a surgir colcheias, semínimas e claves de sol por cima da minha cabeça e o meu corpo é arrastado como um simples objecto de metal absorvido pela força de um íman.

O som provém da zona antiga da cidade. Ainda de olhos fechados, calço as minhas pantufas e, pé ante pé, avanço lentamente pelo instável chão que piso. Olho à minha volta e estou cercado por imponentes moradias que outrora se encontravam no cimo da cidade. Avanço pela rua (quase tropeço num divã), e a melodia torna-se mais intensa. Desloco lentamente o olhar e encontro, ao meu lado esquerdo, a fonte de todas as notas que ouvi. É um edifício alto e bastante antigo, escondido pela memória que um dia lhe pertenceu. A sua cor triste espelha as flores que um dia o Rei da Universidade encontrou no regaço de sua mulher. É o número 22, essa capicua que, de par em par, abre as portas à minha pessoa.

Ao empurrar a resistente porta de madeira, esta abre-se diante de mim e mostra-me algo que nunca sequer imaginara que existira naquele lugar. Um bonito átrio, todo ele pintado de história, dá acesso a várias moradias. Ao fundo, do lado esquerdo, encontro uma placa onde finalmente consigo nomear a causa do meu sonambulismo musical – Ad Libitum Companhia das Artes.

Acompanhado por Paulo Pereira, presidente da Companhia, subo os degraus de madeira que se assemelham a um crescendo musical de suspense. Os planos sucedem-se e, findo o percurso, a minha surpresa quase me atira para o início das escadas. A minha expressão facial modifica-se, fico com os olhos maiores e fico mudo por momentos.

Estamos numa casa do século XVII, com um acolhedor hall de entrada, acarinhado por um belo sofá que nos convida a entrar. Esta divisão permite-nos optar por dois diferentes caminhos: regressar ao século XVII ou viajar até ao século XVIII. Unem-se, desta forma, duas épocas que se abraçam numa só, hoje!

Sinto o cheiro a música e ouço todos os aromas que atravessam a minha pele. As janelas, todas com banquinhos namoradeiros, fazem recordar filmes que nunca realmente vivi. Lá fora, o Mondego permanece tranquilo nesta calma manhã. Pequenas salas servem agora de local de aprendizagem e de convívio entre diversas pessoas.

A Ad Libitum Companhia das Artes surge da vontade do Grupo Vocal Ad Libitum em estabelecer relações de proximidade da música com outras artes do espectáculo, como a dança e o teatro, na procura de uma simbiose global.

A voz, o primeiro e natural instrumento, é o principal objecto de trabalho da academia. Para além de aulas individuais de canto, há ainda o coro infantil Ad Libitum, que tem como objectivo primordial a iniciação no maravilhoso mundo da música, de uma forma divertida e estruturada.

Mas não podemos deixar de lado aquele instrumento com teclas brancas e pretas, construído pela ponta dos nossos dedos e que vagueia pelo modo menor e maior, consoante a nossa escala melódica…

Ao som da música, vestimos algo mais prático e deixamos o nosso corpo flutuar aleatoriamente como o vapor que sai de uma chávena de café… Consoante o pretendido, serão praticados vários géneros de dança, através da prática de coreografias para posteriores apresentações.

Com o próprio sangue a dançar pelas veias o aluno pode, ainda, dedicar-se à nobre arte da representação. Utilizar o próprio líquido vermelho para fazer as outras pessoas corar de amor ou chorar por falta dele… Tudo sem que se perceba quem verdadeiramente é… Esta área teatral permite a aquisição de conhecimentos ao nível de preparação do trabalho de actor e gradual aprendizagem de diferentes regras de interpretação.

“O nosso grande objectivo é enquadrar estas três grandes áreas”. Quem o diz é Paulo Pereira, presidente da Companhia, que pretende dar uma nova cara à alta de Coimbra que, segundo ele, “tem sido bastante desaproveitada”.

Com apenas três semanas, a Companhia das Artes Ad Libitum conta com mais de 30 alunos inscritos. A adesão tem sido bastante positiva e as opiniões são música para os ouvidos dos responsáveis.

A Ad Libitum está localizada na Rua dos Coutinhos, junto ao largo da Sé Velha e pretende captar quem normalmente não tem acesso à cultura.

É com orgulho que Paulo Pereira fala deste seu novo projecto, que abraçou em conjunto com o Grupo Vocal Ad Libitum. Este grupo teve início em 1991 e o seu talento é inegável. Com reconhecido trabalho na promoção da cultura através da música, em todo o país e no estrangeiro, este grupo pretende ir mais longe.

Longe como onde este espaço me levou por breves momentos. Sento-me à mesa, como uma fatia de bolo de chocolate acabado de fazer e moldo as mãos à chávena de chá que aquece a minha alma. A cozinha, um dos compartimentos mais bonitos da casa, persegue o caminho de antiguidade moderna do restante espaço. O ambiente é familiar e acolhedor, os sonhos, esses, aproximam-se cada vez mais da realidade.

5 comentários:

Anónimo disse...

Como gostaria de ter partilhado esse momento contigo*
Força
Sê Grande
S. Aleixo

Joana F. disse...

Gostava de saber mais da oferta desta academia estou mt interessada em praticar dança...

André Pereira disse...

Olá Joana. Esta academia fica entre a Faculdade de Psicologia e a Sé Velha. É o nº22, no seguimento da estrada por onde passa o "Pantufas", a linha azul.

Os contactos são:
Telemóvel: 962 313 331
Email: adlibitumca@gmail.com
Site: www.adlibitumcoimbra.com

Marco santos disse...

ola! eu gostava de saber mais sobre a academia, gostava muito de ter aulas de canto!!!

André Pereira disse...

Olá Marco. A academia fica entre a Faculdade de Psicologia e a Sé Velha. É o nº22, no seguimento da estrada por onde passa o "Pantufas", a linha azul.

Os contactos são:
Telemóvel: 962 313 331
Email: adlibitumca@gmail.com
Site: www.adlibitumcoimbra.com